domingo, 6 de março de 2016

No centro de São Luís, cidadão morre com tiro na testa a caminho da escola onde ia buscar a filha e governo silencia.


Texto publicado no ultimo dia 04 de março pelo Jornalista Abimael Costa.


Um pai de 49 anos de idade, sai do serviço, pega seu automóvel e vai buscar a filha no colégio, o que ele não sabe é que não voltará a ver a filha novamente, e nem os familiares, dentro de alguns minutos ele perderá a vida, será executado em via pública. Um tiro na testa vai por fim a sua vida. Quem é este homem? faria parte de alguma facção criminosa? seria algum marginal? foi acerto de contas? briga por ponto de venda de drogas?

Para o desapontamento e frustração de muitos que usam estes argumentos para justificar os muitos assassinatos, Jorgimar Everton Galvão era trabalhador, exercia a função de inspetor de qualidade e estava indo buscar a filha na escola quando recebeu um bala na testa. 

Onde estava Jorgimar no momento em que foi atingido? estaria ele circulando por áreas de risco? pela periferia da cidade? transitava em área controlada pelo tráfico ou por facções criminosas? 

Mais uma vez a resposta é não, o inspetor de qualidade circulava pelo centro da capital maranhense, cidade sede do poder estadual, com uma população de cerca de um milhão e duzentos mil habitantes. Jorgimar transitava em seu Fiat/Uno Vivace de cor prata, pela Rua Fontes das pedras, ou Rua Regente Bráulio, quando recebeu o tiro fatal que lhe tirou a vida.

Quem matou Jorgimar? e como aconteceu o assassinato? segundo jornais da capital, policiais militares faziam revistas em vans que trafegam na area, quando dois jovens teriam percebido que seriam revistados e decidiram se evadir, os militares saíram em perseguição aos suspeitos que teriam atirado na direção dos policiais que revidaram disparando contra os jovens, um destes disparos atingiu o cidadão, pai e trabalhador Jorgimar. Não se sabe de que arma saiu o projétil que tirou a vida do inspetor de qualidade, e talvez nunca saberemos.

Familiares da vitima manifestaram revolta pela forma brutal como Jorgimar foi morto. Causa perplexidade o silêncio do Governo do Estado diante de um crime tão bárbaro. Da mesma foma, é lamentável que a sociedade ignore, vire as costas, se mostre insensível diante de tamanha barbaridade. As Instituições que representam a sociedade também fazem vista grossa, dão de ombros e nada dizem, não lemos uma nota sequer sobre este crime violento que considero um atentado gravíssimo ao bem jurídico mais precioso que é a vida e que está garantindo na CF 88 através da instalação de um Estado Democrático e de Direito. 

Abimael Costa.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Vereadora Rose Sales cobra do Secretário Municipal de Educação Moacir Feitosa a regularização dos pagamentos atrasados dos Educadores e das Creches Comunitárias de São Luís.

Foto -  Ver. Rose Sales em Reunião na SEMED.


NOSSAS CRIANÇAS MERECEM UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE E NOSSOS TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO MERECEM RECEBER O QUE É SEU POR DIREITO!

A Vereadora Rose Sales, na ultima quinta-feira, 25/2/16, esteve até às 18:30, em audiência com o Prof. Moacir Feitosa, Secretário Municipal de Educação, acompanhada por lideranças e educadores comunitários, representando o movimento comunitário, lutando de forma intensa para obter o respeito e a valorização institucional às creches e escolas comunitárias do município de São Luís, justamente porque a Prefeitura tem promovido longos meses de atraso (dezenas de instituições sem pagamento há 1 ano e 2 meses) no tocante ao repasse do salário dos trabalhadores, da merenda escolar e dos valores referentes ao Brasil Carinhoso (pagamentos atrasados dos anos de 2012, 2013 e 2015). 

Segundo a Vereadora Rose Sales, no ano de 2015 com apoio do Ministério Público Estadual, das Promotorias de Educação, ao lado do movimento comunitário (Fórum e Federação das Escolas Comunitárias) "nós conseguimos passo a passo, que a SEMED abrisse os processos de pagamento para as entidades, pagasse algumas parcelas do FUNDEB, PNAE e PNAC, que empenhasse pagamento de outras, que abrisse processo para efeito de pagamento do Brasil Carinhoso, ou seja, uma luta sem tréguas, devido à falta de competência técnica, de compromisso político e de seriedade da Prefeitura de São Luís, em relação à garantia da educação às nossas crianças da camada popular e à valorização/respeito aos trabalhadores da educação comunitária".

Das 145 entidades aptas pelo MEC para que a SEMED estabelecesse convênio, apresenta-se o seguinte cenário – quanto aos recursos do FUNDEB, PNAE e PNAC que a Prefeitura recebeu do governo federal no ano de 2015, temos dezenas de creches e escolas comunitárias que:

- só receberam parcialmente, faltando conclusão do repasse;

- dezenas que tiveram convênio assinado com empenho e publicação no Diário Oficial e que não receberam nada;

- e 63 (sessenta e três) entidades que até o presente momento nem sequer conseguiram abrir processo, mas que garantiram o trabalho de educação a centenas de nossas crianças.

Durante a reunião pautamos os detalhes de toda a problemática ao Secretário, pontuamos o que se quer por direito, pedimos que sejam efetuados encaminhamentos resolutivos, e que neste ano em curso, as humilhações e constrangimentos que sofreram as crianças, as lideranças e trabalhadores das creches e escolas comunitárias não se repitam. 

Falamos que a legislação federal garante abertura para a SEMED efetuar convênio para o ano letivo de 2016, sendo assumido pelo Prof. Moacir Feitosa que não terá nenhum óbice em executar dentro da conformidade legal. 

Reivindicamos ainda, o retorno do leite às crianças da rede comunitárias (que só foi distribuído de forma irregular no ano de 2014, e nunca mais enviaram), e também, o envio, dos produtos da agricultura familiar, pois a SEMED reteve 30% do pagamento efetuado da merenda escolar de algumas entidades e nunca enviou um pão sequer. 

Quanto às demais reivindicação dará posicionamento até o final da próxima semana.

Texto - ASCOM Ver. Rose Sales.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Mudanças no Plano Diretor de SL: tentativa de golpe prossegue.

Mudanças no Plano Diretor de SL: A tentativa de golpe segue: conselheiros tentam enviar propostas de alteração para a Câmara mesmo sem relatório pronto e ainda faltando audiências.
Foto - http://www.defesadailha.com
A última reunião do Conselho da Cidade de São Luís mostra que a tentativa de setores do empresariado local de alterar a legislação municipal para atender seus interesses continua, e que é preciso estar atento para as manobras. 
A alteração do plano diretor vem sendo discutida como necessária para que setores industriais e da construção civil sigam lucrando sobre o sofrimento da cidade, e não como uma mudança que melhore a qualidade de vida em São Luís, como deve ser.
Para isso, entrou em discussão na última reunião do CONCID (Conselho da Cidade, em que vários setores da sociedade têm assento, inclusive entidades empresariais que sequer a população sabe que existem) a estapafúrdia proposta de enviar as tentativas de alteração na forma que estão para a Câmara Municipal, sem que se tenha relatório formalizado do que foi discutido nas fracas audiências realizadas, muito menos sem que se termine as audiências ainda previstas (das 15 audiências previstas, número baixíssimo para uma cidade de mais de um milhão de habitantes, foram realizadas de modo atropelado apenas 13).
A proposta foi defendida pelo representante do CREA (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura), sob a justificativa de que há setores que estão dependendo disso para realizar suas atividades. É de se envergonhar que um conselheiro da Cidade use a defesa de apenas um setor específico para barrar uma discussão, em vez de, respeitando a posição que ocupa, exigir que a cidade seja consultada, que o processo de audiências seja revisto, que a população, enfim, participe de algo que lhe diz respeito de modo direto. Outra entidade que exigiu rapidez nessa questão – e rapidez aqui não combina com profunda consulta popular, como exige o Estatuto das Cidades – foi a ADEMI, entidade com assento no Conselho e cujo objetivo lá dentro é defender os interesses da construção civil, como aponta sua sigla: Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Maranhão.
RAPIDEZ PARA QUEM?
A pressa atende a dois setores que disputam com a população a aprovação de propostas não discutidas a fundo: caso sejam enviadas da forma que estão, a zona rural da cidade, principal impactada com a diminuição da sua área para que seja entregue nas mãos de empresas altamente poluidoras na região do Porto do Itaqui, fica de fora da consulta, ou seja: os moradores recebem os impactos, ficam ameaçados de serem expulsos de suas moradias, e têm seu direito de falar completamente negado.
Por outro lado, a atuação da Ademi deixa clara a tentativa de alterar o número de andares dos prédios a serem construídos em São Luís, especialmente na dita área nobre, bem como invadir áreas de preservação para a construção de apartamentos para a população de baixa renda longe das áreas já dotadas de equipamentos urbanos necessários para a população, contribuindo para a segregação social, aumento da violência e da desigualdade. 
Além disso, a proposta prevê o aumento das torres residenciais deixando de fora a discussão sobre seus impactos na paisagem urbana e no aumento da demanda de saneamento e transporte, por exemplo. Nesse jogo de forças, entidades empresariais contam com apoio do poder público, como se pode ver nas diversas parcerias entre Fiema e Sinduscon, que revelam parcialidade e levantam suspeição na atuação e nas relações entre entes públicos e privados.
Na reunião do dia 02 de fevereiro, o Secretário de Urbanismo, que preside o Conselho, colocou as propostas em votação e houve um empate, sendo que o envio imediato do projeto de revisão de parte do Plano Diretor e da Lei de Zoneamento, Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo obteve oito votos e a proposta de realização ampliada das duas audiências púbicas que ainda não foram feitas obteve também oito votos. Diante disso, o Secretário Presidente do CONCID absteve-se da possibilidade de dar o voto decisivo e decidiu convocar nova reunião para que a decisão seja tomada.
O fato de a reunião do CONCID partir da discussão do envio ou não da proposta para a Câmara de Vereadores já é, por si, um golpe, ao deixar de fora a discussão da validade das próprias audiências já realizadas! Discutir a partir desse ponto, e não retroceder à discussão da validade de um processo altamente duvidoso, é quase que aceitá-lo como legítimo – legitimidade essa que é alvo inclusive de discussão judicial (veja como foram essas audiências AQUI).
É preciso que todo o questionamento em torno das audiências não seja varrido para debaixo do tapete dos agentes públicos e empresários, e que se mantenha a exigência de um processo amplamente participativo, coisa até aqui não cumprida pela Prefeitura, como verificado pelo próprio secretário municipal de Urbanismo quando da tentativa de realização de audiência, ainda ano passado, no Parque do Bom Menino: na ocasião, ao verificar a presença de apenas três moradores da área a ser discutida, ele declarou suspensa a audiência, justamente por esse motivo. Incrível que agora ele presida uma votação, como a que aconteceu no CONCID e que poderia ter levado esse processo viciado a uma nova etapa, mesmo sabendo disso, mesmo tendo sido alertado que essa foi a condição verificada em todas as demais audiências! Assim, é cada vez mais clara a necessidade de se barrar todo esse processo para corrigi-lo.
NOVA REUNIÃO
Assim, todos devem estar cientes e alertas para essas tentativas de golpe. Está prevista nova reunião do CONCID para o dia 3 de março, às 15h, na Escola de Governo e Gestão Municipal (EGGEM), que fica na rua das Andirobas, 26, no Renascença. Todo cidadão pode e deve participar da reunião, e tem assegurado direito a voz, não podendo apenas votar (apenas conselheiros votam). A participação é fundamental para demonstrar que a cidade não vai ficar alheia a esse processo, que deve ser voltado PARA ELA, e não ser realizado pelas suas costas, como vem sendo feito.
Não fosse a presença de alguns questionadores na última reunião, dia 2 de fevereiro, talvez esse processo tivesse realmente sido enviado da forma espúria como está para ser votado pela Câmara, dada a pressa assumida por parte dos conselheiros, que mais se portam como tão-somente assessores de classes empresariais.
Além disso, nessa reunião do CONCID (caso não seja suspensa, como já ocorreu outras vezes) está prevista a apreciação do requerimento que exige participação popular em outro caso sensível e que é necessário ser discutido pela cidade: na ocasião, será apreciado o requerimento que solicita AUDIÊNCIA PÚBLICA PARA DISCUTIR A QUESTÃO DO BAIRRO DO CAJUEIRO, comunidade atingida pela ameaça de construção de um porto que pode deslocar todos os seus moradores.
Também é necessário reafirmar os questionamentos sobre esse processo, que podem fazer com que ele seja reiniciado, como deve ser, de modo a incluir efetivamente a cidade nas discussões.

De urgente para essa correção de rumos, precisa-se sanar a falta de legitimidade das audiências já realizadas, advinda de fatores como a falta de publicidade ocasionando baixíssima participação popular; o número insuficiente de audiências (para se ter ideia, a cidade de Grajau, no Maranhão, com cerca de 60 mil habitantes, contou com a realização de 60 audiências públicas para tratar de seu Plano Diretor!), a metodologia aplicada, que inibe a participação, além de não permitir aos participantes uma visão da cidade como um todo, tratando-a apenas de modo setorizado. Enfim, hora de manter atenção, estimular e incentivar o debate em torno de uma cidade que seja para todos, e não vista apenas como um local de onde poucos podem ganhar rios de dinheiro às custas do sacrifício da coletividade.


Edital da licitação do transporte será publicado no mês que vem.

Matéria publicada originalmente no Blog do Clodoaldo Corrêa. 

O assunto sempre foi jogado para “debaixo do tapete” em São Luís. Mas a atual administração da prefeitura de São Luís enfrentou os interesses dos empresários do transporte público e colocou em prática a licitação do setor. 
Desde de 2014, o prefeito Edivaldo Holanda Júnior vem dialogando para a construção do edital do transporte coletivo, que agora se torna realidade. 
Após amplo processo de discussão com a sociedade civil organizada e a Câmara Municipal, o projeto foi aprovado no parlamento ludovicense e o edital já está preparado para publicação. A última audiência pública ocorreu em janeiro deste ano.
Segundo fontes ligadas à SMTT, o edital de licitação do transporte será publicado no inicio de março e haverá ampla divulgação e transparência. Após a publicação, as empresas terão 45 dias para se inscrever no certame e assim dar continuidade ao procedimento.
No edital será exigida a qualidade do serviço de transporte que será oferecido pelas empresas vencedoras do certame. Garantir conforto, segurança e o direito dos usuários do transporte coletivo, como ônibus novos e adaptados para pessoa com deficiência em 100% dos veículos serão algumas das cláusulas exigidas.
Hoje a frota média circulante em São Luís é de 7 anos e com o edital vai-se reduzir ainda mais o tempo de uso da frota. Do inicio da gestão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior até agora, já foram adquiridos 371 novos ônibus, todos adaptados com elevadores para a acessibilidade de pessoas com dificuldade de locomoção, o que corresponde há 40% da frota renovada.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Greve de Ônibus nesta Segunda-feira... Aumento de passagem à vista.

O Sindicato dos Rodoviários informa que nesta segunda-feira (22), haverá paralisação de advertência dos coletivos em São Luís, entre as 4h30 e 6h30 da manhã. 
É importante frisar que ficarão impedidos de sair das garagens durante as duas horas, os ônibus da empresas que não efetuaram o pagamento de adiantamento de salário dos motoristas, cobradores e fiscais.
No inicio do mês, o sindicato patronal, chegou a divulgar por meio de nota, que não pagaria o salário da categoria no quinto dia útil do mês e que só depositaria o dinheiro na conta dos trabalhadores, após o carnaval. 
Charge - Cabalau.
Após pressão do Sindicato dos Rodoviários, que ameaçou paralisar o transporte público de São Luís durante a temporada carnavalesca, os empresários voltaram atrás da decisão e efetuaram o pagamento da classe.
Nesta segunda-feira (22), às 10 horas, na sede do Sindicato dos Rodoviários do Maranhão, na Rua Afonso Pena, Centro, o presidente da entidade Isaias Castelo Branco irá conceder coletiva a imprensa, explicando todas as razões que levaram a essa paralisação de advertência, que sempre resulta em transtornos para os usuários do sistema de transporte público. 
Na ocasião ele também deve se pronunciar quanto à postura adotada pelos empresários do setor, que nos últimos meses, tentam prejudicar os funcionários, não honrando com o compromisso de pagamento de salários nas datas acordadas em convenção coletiva de trabalho.

Exposição fotográfica intitulada ‘Tombamento’, de Vicente Jr., mostra o abandono do Centro Histórico de São Luís.

Matéria copiada do Blog Atual 7 - Exposição ‘Tombamento’, de Vicente Jr., foi aberta nessa sexta-feira 19. Imagens comprova a falta de conservação do Centro Histórico de São Luís.

Foto - Reprodução Imirante.

Espaços abandonados e mal conservados no Centro Histórico de São Luís, no Maranhão, foram inspiração do fotógrafo Vicente Júnior na exposição ‘Tombamento’, aberta ao público nessa sexta-feira 19, na galeria de arte do Sesc na Praça Deodoro, no Centro da capital.

Com um olhar poético, Vicente Júnior reuniu imagens sem filtro e com muita originalidade que comprovam a falta de conservação do Centro Histórico de São Luís, e fazem o contraponto oportuno ao discurso do subprefeito de São Luís, Fábio Henrique Farias, que no meio desta semana utilizou as redes sociais para tentar ridicularizar o deputado estadual Wellington do Curso (PPS) por o parlamentar ter denunciado justamente o descaso do poder público com o Centro Histórico.

Fotógrafo Vicente Júnior na exposição ‘Tombamento’.

Enquanto Fário Farias agarra-se em movimentos culturais que já existiam antes de sua sinecura e em obras executadas pelo governo estadual para defender seu discurso de que o Centro Histórico vem sendo bem cuidado, o autor da exposição mostrou o contrário ao fugir da ideia clichê de fotografar apenas os azulejos, casarões e mirantes do local. Segundo Vicente Júnior, ele quis mostrar pela lente da câmera o que os olhos dos ludovicenses, sem perceber, já se acostumaram a ver: a beleza do Centro Histórico de São Luís desaparecendo.

Foto - Vicente Júnior na exposição ‘Tombamento’.
Assim como denunciou o deputado Wellington do Curso, o fotógrafo viu e registrou que o Centro Histórico é tomado pelas ruínas, pelo lixo, com paredes, portas e janelas encobertas pela falta de cuidado. Andando pelas ruas, viu que os portais não levam a lugar algum e na ‘Cidade dos Azulejos’, faltam muitos na parede, e os poucos que ainda tem estão pichados.

Foto - Vicente Júnior na exposição ‘Tombamento’.
“Na verdade, eu procuro, a partir desses clichês, no sentido de mostrar essas ausências. (...) O tombamento diz respeito a um bem reconhecidamente histórico e cultural, (...) e na verdade a gente vê que ele está tombado de caindo mesmo aos pedaços”, justifica Vicente Júnior.

Foto - Vicente Júnior na exposição ‘Tombamento’.
Para quem desejar ir além dos registros clichês e das propagandas do poder público sobre o Centro Histórico, a exposição ‘Tombamento’ fica em cartaz até o dia 29 de março.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

EC n° 91 "Janela de Desfiliação Partidária Extraordinária. Aberta temporada de troca de Partidos.



 
Altera a Constituição Federal para estabelecer a possibilidade, excepcional e em período determinado, de desfiliação partidária, sem prejuízo do mandato.
As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, nos termos do § 3º do art. 60 da Constituição Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto constitucional:
Art. 1º É facultado ao detentor de mandato eletivo desligar-se do partido pelo qual foi eleito nos trinta dias seguintes à promulgação desta Emenda Constitucional, sem prejuízo do mandato, não sendo essa desfiliação considerada para fins de distribuição dos recursos do Fundo Partidário e de acesso gratuito ao tempo de rádio e televisão.
Art. 2º Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, em 18 de fevereiro de 2016.
Mesa da Câmara dos Deputados
Deputado EDUARDO CUNHA
Presidente
Deputado WALDIR MARANHÃO
1º Vice-Presidente
Deputado GIACOBO
2º Vice-Presidente
Deputado BETO MANSUR
1º Secretário
DEPUTADO Felipe Bornier
2º Secretário
Deputada MARA GABRILLI
3ª Secretária
Deputado ALEX CANZIANI
4º Secretário
Mesa do Senado Federal
Senador RENAN CALHEIROS
Presidente
Senador JORGE VIANA
1º Vice-Presidente
Senador ROMERO JUCÁ
2º Vice-Presidente
Senador VICENTINHO ALVES
1º Secretário
Senador ZEZE PERRELLA
2º Secretário
Senador GLADSON CAMELI
3º Secretário
Senadora ÂNGELA PORTELA
4ª Secretária
Este texto não substitui o publicado no DOU 18.1.2015
*

Por Flávio Braga.

chamadas-album-partidos-politicos-2013-1379625396817_956x500O Congresso Nacional promulgou na última quinta-feira (18) a Emenda Constitucional nº 91, que estabelece a possibilidade, excepcional e em período determinado, para que deputados e vereadores possam desligar-se dos partidos pelos quais foram eleitos sem prejuízo do mandato eletivo. A emenda cria a chamada “janela de desfiliação partidária”, instituto jurídico que consiste num prazo de 30 dias para que parlamentares mudem de legenda sem incorrerem na prática de ato de infidelidade partidária decorrente de desfiliação sem justa causa.
A migração partidária, porém, não será considerada para fins de distribuição dos recursos do  Fundo Partidário e do acesso gratuito ao tempo de rádio e televisão. Esses cálculos são  proporcionais ao número de deputados federais de cada agremiação.
A janela partidária era apenas um dos pontos da Proposta de Emenda à Constituição originária, que trata mais amplamente da reforma política. O restante dos itens foi desmembrado e continua tramitando na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado. Entre os pontos a serem analisados, está a possibilidade do fim de reeleição para presidente, governador e prefeito. Portanto,  o instituto da reeleição continua vigente para esses cargos majoritários.
Desde 2007, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu que os mandatos pertencem aos partidos e que, por isso, os seus detentores não podem mudar para outra legenda sem perder o cargo. Todavia, em 2015 o STF fez uma inflexão em seu entendimento anterior e decidiu que os cargos majoritários (presidente, governadores, senadores e prefeitos) não pertencem aos partidos. Logo, esses mandatários não estão sujeitos a essa regra de fidelidade partidária.
Doutrinariamente, pode-se considerar a possibilidade trazida com a EC nº 91 como a “janela de desfiliação partidária extraordinária”, visto que a Lei dos Partidos Políticos já contempla (em seu artigo 22-A, inciso III) a janela partidária ordinária (mudança de partido efetuada durante o período de trinta dias que antecede o prazo de filiação exigido em lei para concorrer à eleição, majoritária ou proporcional, ao término do mandato vigente).
O que dizer sobre o inevitável troca-troca partidário? Aqui cabe fazer-se uma distinção categórica. Uma coisa é a troca partidária realizada por interesses fisiológicos, o que é extremamente nocivo ao regime democrático. Outra coisa é a migração partidária verificada no final do prazo de filiação partidária para quem pretende ser candidato, já no crepúsculo do mandato eletivo.
Muitas vezes a mobilidade partidária se torna inevitável, como nos casos de grave discriminação política pessoal (“assédio moral ao filiado”), de perseguição política, de mudanças significativas de orientação partidária etc. Então, o mandatário necessita de uma chance para, ao menos no final de seu mandato, se apresentar aos eleitores por outra sigla que represente melhor as suas convicções políticas, sobretudo porque não existe mais o instituto da candidatura nata.